Entender o funcionamento do próprio corpo e lutar pelo bem-estar ou bem viver pode parecer uma incógnita, mas não é, não. Ainda mais, quando falamos sobre alimentação saudável sem as receitas dos médicos e doutores.  Os livros, pesquisas e “achados” da reconhecida escritora Sonia Hirsch tratam disto. Ela, também é jornalista,  focada na promoção da saúde desde os ano 80, com mais de 20 livros já publicados.  A jornalista Sonia Hirsch, de 69 anos, dedicou os últimos 30 anos à divulgação dessas ideias. Tudo começou quanto, aos 29, ela retirou da dieta o ingrediente de que mais gostava: o açúcar. “Eu era estragada, viciada em doce”, diz.

Sonia Hirsch pesquisa diariamente novos temas e assuntos. Nesta foto, a escritora está com um dos seus mais de 20 livros já publicados em mãos.

Em seus livros publicados, a escritora fala ainda como uma dieta ou alimentação sem açucar pode ser benéfica ainda contra o câncer, e em especial, na alimentação de crianças entre outras alergias e doenças. A escritora tem alguns livro relançados e chamados “Mamãe eu Quero”, “Sem Açúcar com Afeto” e “Deixa Sair” em edições atualizadas.

Em  seu sítio, que fica na cidade de Itaipava, no estado do Rio de Janeiro, onde mora, Sonia também fala da contribuição da medicina chinesa na busca pelo bem-estar. Ela conta como passou a ver a vida saudável sem o uso do açucar. ” Passei a pensar na saúde de forma mais integrada. A medicina chinesa foi fundamental. Me ensinou como os alimentos podiam me afetar energeticamente, como cada um tem sua função. Abandonei o vegetarianismo, por exemplo, porque estava com a energia baixa e percebi que precisava comer carne”.

Explica ainda que o “açucar dá barato” e é preciso ter outro tipo de pensamento de prazer na alimentação para se livrar do produto. A autora conta que a transição é notada facilmente quando cada um começa a perceber que muitas  inflamações, depressão, corrimentos e alergias podem desaparecer ou diminuir se o açúcar for retirado da alimentação, é possível superar esse vício no “bem-estar” passageiro. Conta ela que, “ o açúcar é sujeira para o organismo.
“Eu era estragada, viciada em açúcar. Desde criança, o doce corria solto em casa. Depois de referências da dieta macrobiótica e de ler o “Sugar Blues” [William Duffy, 1975], vi que algo estava errado. Eu sempre tinha doce. Passava na doceria antes de fazer análise. Gastei muito dinheiro com terapia, mas as sessões eram confusas. Eu não tinha clareza. Vi que isso era porque o meu corpo estava tentando digerir a quantidade de açúcar que eu ingeria antes da consulta.
Hoje estou açúcar zero, mas tenho alma “junkie”. Às vezes, digo: “hoje mereço um chocolate”. Quando estou livre do doce, acordo melhor, penso melhor, tenho mais leveza e flexibilidade diante de situações com mais pressão”.

Parece para nós um pensamento radical, altamente complexo e impossível, mas ela afirma isso e é ainda uma testemunha de vida. Por exemplo, em seu livro “Manual do Herói”, ela cita a importância de deixar a energia fluir, sem excesso, nem demais, nem de menos. Como aplica isso na sua vida com tantas demandas?
A filosofia chinesa se explica pelo equilíbrio entre yin, o vazio, e yang, o cheio, com todas as nuances pelo meio. Me acostumei a refletir sobre isso e procurar a harm

Como antes, as panelas usadas pela escritora, ou são de pedra sabão, ou são de ferro.

onia. Há muito tempo pratico exercícios de respiração, mantras, contemplação da natureza, que acalmam a mente e o corpo. Isso tem a ver com uma frase que adoro, atribuída a Jesus: “O Reino dos Céus está em toda parte, mas ninguém o vê; é representado por um movimento e uma pausa.”

E tem mais. O conceito “Deixa Sair” que ela trata em uma de suas publicações também trata da limpeza do corpo, prestar atenção no que precisa ser eliminado ou não mais ingerido. E também do controle da respiração, que ajuda na conexão com o corpo e o pensamento. Você passa a se voltar para dentro. A respiração consciente limpa e nutre.

Ainda assim, a escritora alerta que as consequências dessa falta de auto conhecimento e conexão com nosso próprio corpo podem estar ligadas a uma dor de cabeça ou uma dor no ombro e não investigar em você mesma os hábitos que podem provocá-las. Tudo o que você busca é um remédio para “acabar” com o problema. Você delega a sua saúde para outro, para alguém cuidar de você. A Constituição diz que “saúde é um direito”. Eu discordo. Saúde é um patrimônio pessoal, algo a ser preservado, não algo a se pensar só quando aparece a doença.

Além do seu depoimento e testemunho sobre a não ingestão do açucar, ela conta que seu pai recebeu diagnóstico de mieloma múltiplo [câncer de medula óssea] aos 93 anos. Fez a dieta e morreu de velhice, lúcido e sem dor, aos 97 anos de idade. Eu mesma me livrei das alergias e de um “quase mioma”. O bom é evitar os alimentos causadores de inflamação.
“A retirada do açúcar é um componente importante. A substância tem a ver com inflamação do intestino e com aquela barriga insistente, resultado dessa inflamação”, completa a autora.

Tudo bem que a jornalista é uma assídua pesquisadora e consumidora de informação desde 1976, quando passou a estudar sobre alimentação, medicina natural e oriental. Mas hoje, já temos a facilidade de ler seus livros e propósitos para ficar de bem com a vida e com a saúde física, mental e espiritual em dia. Seus livros, mais vendidos ou clássicos como “O melhor da festa”, “Só para mulheres” e  “Amiga Cozinha” – encerra uma trilogia iniciada por “Meditando na cozinha” e “Paixão emagrece amor engorda” e reúne crônicas publicadas em revistas durante as últimas décadas.
A escritora é paulista, embora more no sítio que também contribui para sua felicidade e perfeita saúde. Mas para nós, talvez, mais urbanos, não é necessário ter um sítio já que a escritora dá todas as dicas em seus livros e já que também podemos ter o contato com a Natureza e senão hortas como a dela, produtos já disponibilizados sem agrotóxicos, totalmente naturais e orgânicos encontrados em feiras, hiper e super – mercados e especialmente nas casas especializadas em produtos naturais.
Sonia não é otimista em relação à conscientização do povo brasileiro sobre o assunto Saúde ou Alimentação Saudável, mas esperançosa, é  persistente de que um dia será possível todos adquirirem, na prática, a sua transparente sabedoria, das lições aprendidas ou de resultados positivos do seu estilo de vida e pesquisas, que também distribui nas redes sociais, nos livros, revistas, em artigos, blog, entrevistas ou em seus próprios cursos, palestras e wokshops.   “A média da população poderia estar comendo melhor, até porque isso virou tema de horário nobre. O vegetal entrou na moda, o orgânico é a commodity ligada a ele. O Ministério da Agricultura lançou uma cartilha do Ziraldo enaltecendo o produto orgânico e dando uma ripadinha nos transgênicos. Isso mostra que o agronegócio orgânico pode ser muito interessante para o Brasil, que afinal é um país agrícola. Peso por peso, a salsinha orgânica vale mais do que a carne. Mas ao lado, muita coisa ruim vai para as prateleiras com o rótulo ‘saudável’. E são tantos os produtos industrializados nos carrinhos de compra que, sinceramente, acho que a maioria continua comendo de mal a pior”, desabafa.
A jornalista não é  também radical. Ela acredita que numa dieta saudável é possível “enfiar o pé nada jaca de vez em quando”. Questionada sobre seu vilão na alimentação, Sonia é enfática: “O açúcar. Tudo o que é feito com ele, tudo o que o imita. O sabor doce vicia, dá compulsão, obriga a gente a comer coisas e mais coisas que se transformam rapidamente em glicose”, explica Sonia que se pudesse levar apenas um alimento para uma ilha deserta, optaria por castanhas de caju. “Fresquinhas, recém assadas e sem sal”, descreve. A dica é valiosa, tratando-se de uma das maiores pesquisadores em alimentação saudável do Brasil.

Entre os assuntos abordados no livro, as panelas ganham destaque. As panelas de pedra-sabã são suas preferidas como já dito aqui outras vezes. “É um tempo de cozimento que combina com o meu. As de ferro grosso esmaltado, geralmente européias, vêm depois. E as de inox, grossas, para jogo rápido. Não deveríamos usar as de teflon”, recomenda.
“Amiga cozinha” traz várias receitas, dentre elas a de salada de bacalhau. Então e agora, aí vai uma receitinha fácil e saudável para todos nós, fornecida exclusivamente pela escritora e jornalista:

Salada de Bacalhau

Para o verão recomendo a salada de bacalhau, que pode ser feita até com as laterais magras do mais baratinho. De molho 48 horas, depois limpar, cortar em bocados pequenos ou soltar em lascas, colocar numa vasilha de louça com tampa. Misturar bastante alho picado (2 cabeças médias para um quilo de bacalhau) e cobrir com azeite extravirgem. Deixar curtindo na geladeira por no mínimo 24 horas, mas dura uma semana ou mais.
Servir frio e, sim, cru, com pão, azeitonas, cebola, rúcula, aipo, tomate, pimenta-do-reino, alcaparras, vinho, um bom papo – e as bênçãos portuguesas, com certeza!

Fontes de pesquisa: Folhapress, GNT Saúde e canais em redes sociais da própria autora que autoriza o Blog O ESSENCIAL – Curta Vida a reproduzí-los.