Há alguns anos, se falasse em depressão, pânico ou ansiedade, muitos diriam que eram doenças para ricos ou até “frescura”. Já era um absurdo, uma falta de informação completa e agora ainda mais, porque a Depressão já consta até do Compêndio Mundial da Saúde.

Entrevistamos a Dra. Andréa M. Gambarini Zen, psiquiatra e que trabalha também com a Medicina Atroposófica e que nos afirma que na verdade, hoje, vivemos uma pandemia, que é uma grande epidemia de doenças emocionais (psiquiátricas), principalmente a depressão e a ansiedade. Aos que leem esta matéria vão entender, eu espero, até o final da entrevista que nem todas as doenças psiquiátricas exigem isolamento ou cuidados especiais permanentes. Por isso, vamos mostrar aqui esta abordagem Antroposófica e como ela é ou funciona.

 

O ESSENCIAL – O que é Medicina Antroposófica?

Dra. Andréa – A Medicina Antroposófica é uma abordagem complementar a medicina tradicional, fundada em 1920, na Suiça, por Rudolf Steiner (fundador da ciência espiritual Antroposofia) em conjunto com a médica Ita Wegman.  Leva em consideração quatro “corpos” do ser humano: o corpo físico, o corpo etérico que leva em consideração a vitalidade, o corpo astral, que tem haver com nossas sensações e emoções e o EU, que é este espiritual mais elevado, diferentemente da Medicina Tradicional que só vai avaliar a parte física. Na verdade,atualmente, no momento em que vivemos a pessoa tem estas doenças porque há uma descompensação da parte emocional e espiritual, principalmente por uma falta de interiorização e auto-conhecimento. O Mundo de hoje é muito materialista e as pessoas não têm a vivência e domínio da vida delas. Há uma superficialização dos sentimentos. As vezes esta pessoa tem um ótimo emprego, ganha bem, é socialmente recompensada, mas não faz o que gosta, faz somente o que não tem a ver com ela no dia-a-dia. Não pratica a profissão almejada lá trás ou que antes não exigia tanto dela mesma. A pessoa não se realiza, então leva a um desgaste emocional, a pessoa vai ficando irritada, desanimada, muito ansiosa, dorme mal, come mal, etc.Depende da pessoa isto vai se exteriorzar por estes sintomas, as mais comuns hoje, a depressão e a ansiedade.

A entrevistada na Casa Aurum, em Campinas, com seus colegas de trabalho.Da esq. para direita, a dra. Cristiane Pacheco, terapeuta ocupacional e psicoterapeuta Transpessoal  e Antroposófica, seguida pela nossa entrevistada, pelo profissional Dr. Murilo Povo, psicólogo e também médico Antrposófico e na frente, Dr. Michael Yaari, médico de Família Antroposófico.

Aí passam a existir quadros de grande depressão e ansiedade, sem realização emocional, sem conhecer a própria essência, gerando cada vez mais sintomas. A pessoa se confunde com ela mesma e começa a achar que não tem a ver com a idade, com os relacionamentos, quando na verdade, não é isso. Eu já atendi pessoas que perdem a vontade de viver e se confundem com a doença, achando que são quadros gerados pela idade, pela perda ou falta de realização profissional,quando, na verdade, não é isto que está acontecendo e sim, uma desarmonia entre todos os corpos e uma dissociação do emocional.

O ESSENCIAL – Também já ouvi falar que inúmeros brasileiros convivem com estas doenças sem saber? Como isso pode ocorrer e este é realmente um fato agravante para tais doenças?

DRA. ANDRÉA  – Sim, isso é um fato comum. Se este grande desgaste não é tratado, muitas vezes até não reconhecido pela pessoa, isso pode se agravar, gerando uma alteração da parte mental, um grande desgaste da parte física e emocional levando a uma dificuldade de relacionamento, de não produtividade como deveria, de perda do interesse pela vida, causando grandes transtornos sociais e até para a própria família. Eu já vi casos em que o quadro é arrastado por não ser notado antes e que as vezes podem até não ser diagnosticados por psicoterapeutas. Não sendo tratado devidamente é um dos maiores agravantes que a gente vê.

O ESSENCIAL – Todo tratamento é medicamentoso? Além dos medicamentos alopáticos, o que mais pode ajudar na cura de uma pessoa depressiva ou com ansiedade?

DRA. ANDRÉA – Sobre a parte medicamentosa vou falar mais abaixo. Mas é necessário o paciente saber que o tratamento pode levar de no mínimo, seis meses até um ano, se for bem sucedido, com possível acompanhamento por dois anos, aí sim, mais entrepassado.

Agora, o acompanhamento com o psicoterapeuta vai depender de cada pessoa. É importante que o paciente neste processo de auto conhecimento faça exercícios físicos que goste, procurando ficar sempre em contato com a Natureza e até mesmo mudando, se necessário, sua rotina de trabalho e também alimentar.

SINTOMAS

O mais comum dos sintomas num caso de depressão é o desânimo, humor mais fechado, as vezes até o mal humor, tudo é feito sem muita vontade, pouco ou muito excessiva, de forma “mecânica”. Essa força de vontade pode até deixar de fazer atividades de trabalho, como por exemplo, chegar atrasado com frequência. Não é tristeza  e sim, desânimo. As pessoas chegam a se confundir. Por isso, emagrecimento, assim como falta de sono ou o inverso e desprezo consigo mesmo esteticamente, também são sintomas considerados principais. Pode ter ansiedade, falta ou excesso de apetite. É muito individualizado. Mas, cada caso é um caso. É muito importante o sintoma quadro a quadro de cada paciente. E como isso será tratado até o final.

Como é bom viver de bem com a vida. Na foto, a nossa entrevistada, Dra Andrea Gambalini Zen.

 

Dra Andréa é médica-psiquiatra, formada em Psicologia Transpessoal, então  atua  também como Psicoterapeuta e tem especialização em Medicina Antroposófica além de ser Consteladora Sistêmica. No caso da Medicina Antroposófica trata-se de uma visão mais naturalista, trabalha portanto, com medicações naturais, feitas com plantas e metais, diluídas semelhantemente a Homeopatia, mas não exatamente como tal.

A Dra. Andréa esclarece ainda, que o  tratamento completo consta da Medicina Antroposófica, trabalhando o ser humano por inteiro, nos seus quatro diferentes lados integrados já explicados acima e na Medicina ou Psicoterapia Transpessoal com a Medicação Alopática. “Então precisamos da psicoterapia em um processo de auto conhecimento, pode-se utilizar a Medicina antroposófica sempre com aliada a alopática, que são medicações que devem ser utilizadas para cada paciente, na medida adequada e sempre acompanhadas, verdadeiramente, pelos médicos” ressalta ela. A depressão tem cura, mas dá trabalho para ser curada. Porque não é só medicação alopática e antroposófica. Precisa de psicoterapia e que a pessoa esteja disposta ao seu próprio auto conhecimento e talvez, muitas vezes, com mudança de rotina e de vida.   

Para maiores informações: (19) 2514-1565 (Casa Aurum) ou pelo e-mail:atendimento@ casaaurum.com.br.